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21 de junho de 2008

Tocha Olímpica passa pelo Tibete

Foi esta manhã - madrugada em Cabo Verde - três meses depois da revolta de tibetanos contra as autoridades chinesas que a Tocha Olímpica atravessou as ruas de Lhasa a capital do Tibete; travessia vigiada por unidades especiais da polícia com assistência limitada às pessoas que dispusessem da acreditação especial.
Os residentes nas ruas percorridas pela Tocha receberam ordem para não sair de casa, as lojas fecharam durante a passagem da tocha e os hóspedes dos hotéis - a cidade continua interdita aos turistas estrangeiros - não podiam sair.
Gonpo, um alpinista tibetano de 75 anos, foi o primeiro atleta a transportar a tocha e as duas horas iniciais da cerimónia foram transmitidas em directo pela televisão chinesa.
A agência oficial de notícias chinesas anunciou hoje que as autoridades libertaram 1.157 manifestantes detidos durante os incidentes de Março no Tibete mas a Amnistia Internacional (AI) denunciou que centenas de pessoas detidas pelo Governo chinês estão desaparecidas desde a sua detenção, e fala ainda num bloqueio informativo e em torturas. Um jovem, de 17 anos, contou à AI que foi torturado até admitir crimes que não tinha cometido. "Muita gente tinha os braços e as pernas partidas ou com ferimentos de balas, mas ninguém os levava ao hospital".
A falta de informação sobre o paradeiro dos detidos e a intimidação aos advogados é também destacada pela AI que afirma que: "Com a tocha olímpica prestes a entrar no Tibete, é uma boa oportunidade para iluminar um pouco a situação". Concordo absolutamente. A China vai abrir portas a milhares de turistas e jornalistas ávidos de descobrir a verdadeira China.

20 de junho de 2008

Mais cartoons

Que querem? Estou deliciada com estes cartoons. Gary Varvel mais uma vez...

16 de junho de 2008

Stairway for the 150 dollars

Cartoon espectacular de Gary Varvel. Para alguns basta sentar e esperar calmamente... uma autêntica straiway to heaven. Os 139 dólares já foram ultrapassados nesta escada para os $150.

14 de junho de 2008

Game over?

Excelente jogo da Greenpeace para pais e filhos aprenderem em conjunto sobre o planeta, ambiente, ecologia e salvarem o mundo. Em português. JOGAR AQUI.

13 de junho de 2008

A verdade que temos de enfrentar

Temos pela frente tempos difíceis. Não há como escapar a esta realidade. Países com maior margem de manobra e menor dependência externa também vão (já estão) sofrer.
Crise alimentar. Crise do petróleo. Arrefecimento da economia e um mercado tão volátil que estremece a um simples comentário do Presidente do BE. Efeito dominó.
A fome já chegou e montou praça em alguns países. Noutros o desemprego sobe a olhos vistos. A ajuda e o financiamento externo tardam e os países que a recebem são escolhidos a dedo. Da conferência alimentar saíram 10 milhões de dólares quando a própria FAU pedia 30 milhões para as necessidades imediatas!
Em momentos como este a demagogia e o incitamento à instabilidade económica são de uma total insensibilidade. As declarações de alguns políticos e empresários deixa claro que os primeiros não têm o mínimo conhecimento da gravidade do que se passa por este mundo fora ou têm por superiores outros interesses, os segundos consideram intocáveis os seus lucros.
Temos de cerrar fileiras e preparar este país para o pior pois só assim podemos esperar o melhor, e se as palavras não chegam fica o desenho, um cartoon espectacular de Gary Varvel... acho que não é preciso dizer que o pequenino somos nós.

12 de junho de 2008

Importa-se de repetir (VIII)

Pois é bebé! Espantoso! A associação dos consumidores (ADECO) que até hoje não fez grande coisa em prol do consumidor acaba de lançar um apelo à greve!!! Importa-se de repetir?!
O mail chegou-me através da rede do Governo ou seja usando meios e o erário público!!
ADECO que acabou de descobrir os cenários internacionais do petróleo... Pois é bebé!Inaugurei a categoria demagogias lol lol lol. $150??? Há quem diga que pode ir aos $200. Lesse o Sanpadjud e certamente andaria melhor informado.
A quem serves?
Aos cabo-verdianos?
É preciso preservar a lucidez, a serenidade e a determinação no meio da tempestade.
Pois é bebé o melhor mesmo é apelar também para a greve no consumo do arroz...

Humor bem brasileiro

Face às reclamações que este blog anda muito sério fica um pouco do humor brasileiro. Um humor poderoso na chamada de atenção para a Amazónia que pouco a pouco vai desaparecendo - agora com a corrida brasileira ao etanol...

Aproveito o post para um obrigada grande au Agry do blog Navegador Solitário que me dá o privilégio de publicar uma entrevista minha. OBRIGADÃO pela entrevista mas essencialmente pelo interesse, generosidade bloguista e por que não dizê-lo pela massagem no ego.

9 de junho de 2008

Idiossincrasia??

Acho graça à patologia autodepreciativa em que nos comprazemos! A nossa opinião sobre o estado do país é quase sempre pior do que os factos. Deve fazer parte do carácter nacional. Se calhar é uma idiossincrasia. E inclui muitos casos de disparidade entre a realidade e a sua percepção.
Por exemplo, diz-se por aí que o país está pior, ora, entre 1999 e 2007 (poderíamos fazer um exercício melhor, de 1975 a 2007, pois há quem ignore que este país nasceu de cofres vazios) é inegável o desenvolvimento de Cabo Verde – No Relatório de Desenvolvimento Humano em 1999 o indicador de Cabo Verde era 0.677, em 2005 atingimos 0,721 [o país da África Negra com resultado + elevado] e em 2007/2008 o indicador é 0,736, quem quiser confirmar basta ir à fonte - mas ignorando os critérios internacionais basta uma boa olhadela ao país:
Há 30 anos a mortalidade infantil era de 108 crianças por cada mil, actualmente estamos abaixo dos 30. Comparando: em Angola, que assim como Cabo Verde é uma antiga colónia portuguesa, um quarto das crianças morrem antes de completarem cinco anos - um número oito vezes superior a Cabo Verde. E isto tendo Angola o mesmo rendimento per capita que Cabo Verde que não tem o petróleo, os diamantes. A esperança de vida de 70 anos é impressionante comparando com a do nosso vizinho Senegal no qual a média da esperança de vida é de 61 anos e de Angola e Moçambique em que ronda os 41 anos.
Um outro exemplo tem a ver com a corrupção. Quer-se fazer passar à força a ideia de que a corrupção é omnipresente e está em crescimento. Contudo, os dados não confirmam o cenário, e observadores internacionais qualificados, como a Transparency Internacional, colocam Cabo Verde em 49º lugar nos países menos corruptos a nível mundial num estudo que abrange 179 países. Sem dúvida que neste indicador como em outros temos de continuar a melhorar - foi aliás a primeira vez e só isso já é positivo que o nosso país foi observado pela TI - mas não somos nem de perto nem de longe um país de corruptos.
Também aqui basta uma olhadela mais atenta ao país: titulares de cargos políticos ou públicos que enriqueceram subitamente, que passaram a proprietários de empresas em sectores chave, não passam despercebidos num país pequeno. Se os há nós sabemos quem são, ou não?
Podem existir factores psicológicos (se calhar até genéticos pois esta é uma tendência profundamente portuguesa) que justificam esta mania nacional, mas entre essas justificações encontro a própria comunicação social, que sistematicamente destaca os traços mais sombrios da realidade social, desprezando ou desvalorizando os aspectos positivos. Existe um populismo noticioso que sublinha a grosso os aspectos negativos e omite ou deprecia as notícias positivas.
Só as más notícias são notícias, mesmo quando não são verdadeiras. É notícia o crime, não a captura do criminoso; a subida da inflação, não a sua descida; a subida do desemprego, não o seu decréscimo. Exemplos? O mais recente: Anuncia-se em grandes parangonas a taxa de manutenção rodoviária, mas provavelmente nunca houve nem haverá notícias a sublinhar a importância do investimento feito (e a fazer) nas estradas e a necessidade da sua manutenção. Não me recordo de ter lido nos jornais que a mobilidade de pessoas e bens é um factor importantíssimo para o aumento da empregabilidade neste país.
Houve na blogolândia quem concluísse que as famílias pobres são as que mais sofrem com a TSMR, uma taxa que tem como pressuposto o princípio do utilizador pagador: quanto mais abasteces_mais circulas_mais usas_mais pagas! Ficámos pois a saber que uma família pobre ou remediada, sem automóvel, pode ser mais afectada pela subida dos combustíveis do que uma família com rendimentos médios ou altos que possui dois carros em utilização corrente... Há coisas improváveis, não há!? Não é inocente a pressão da Moura Company – ela sabe que não pode, por o sector ser regulado, repercutir pelo menos imediatamente a taxa no seu utente…
Ao tratamento noticioso acresce o comentarismo nacional – incluo aqui os blogs - onde realça um estilo habitualmente apostado em negar qualquer progresso do país. Qualquer acontecimento mais grave é transformado numa demonstração inequívoca da incapacidade governativa. Qualquer acontecimento positivo e assobiam para o ar ignorando propositadamente...
As reformas e a modernização são encaradas com dúvida ou displicência: uns teimam em negar a existência de qualquer verdadeira reforma, outros apressam-se a apoiar todas as resistências às mesmas, por mais corporativas ou injustificadas que sejam.
Na verdade, toda a firmeza na condução de reformas modernizadoras corre o risco de ser apelidada de autoritarismo ou, mesmo, como é hábito de totalitarismo de partido único, apesar de mais de metade da nossa história se ter passado em regime democrático.
Claro que que a vulnerabilidade da opinião pública ao enviesamento informativo e opinativo é tanto maior quanto menor for o nível de educação e de autonomia crítica na sociedade. Manifestamente, ainda estamos mal colocados em ambos esses critérios!
Mas esta é só a minha opinião! E não se destina a fazer opinião... porque lá diz o ditado "a cada cabeça a sua sentença".