S. Vicente

Monte Cara

S. Vicente

Mindelo

S. Vicente

Ilhéu

28 de março de 2008

Resposta aberta

Fiquei sensibilizada pela carta que achou por bem remeter, a todos nós povo, por intermédio da Semana. Manda a boa educação que se responda às cartas que nos são dirigidas e apesar de me ter pautado pela inércia em ocasiões semelhantes, achei por bem aproveitar esta oportunidade para me redimir e seria mesmo muito rude não responder a uma tão amável missiva.
Não precisava tanta preocupação e pressa para transmitir a versão correcta e verdadeira dos factos. Veja lá que existe o hábito (da maior parte deste povo apesar de algumas ovelhas tresmalhadas) de deixar que certos assuntos sejam resolvidos nos Tribunais. Acho que é por causa deste hábito de respeito pelas instituições que em nosso nome promovem a acção penal e aplicam a justiça que nos chamam um Estado de Direito Democrático!
Deixe-me dizer que compreendo o interesse que, quem está a braços com processos judiciais, tem em promover nos jornais (ou até na TV se houver verba para isso) os seus pontos de vista particulares, enfim, cai sempre bem um tempo de antena (uma página inteira ainda é carito, só para quem pode) para explicar as coisas fora do foro legal chamado tribunal. Aliás isso não é inédito entre nós. Os tribunais e as leis são coisas muito maçadoras...
A despropósito: parece que temos lá na Constituição umas coisas chamadas presunção de inocência e direitos de defesa do arguido com contraditório e tudo… Mas pronto sou eu a divagar. Nos países civilizados qualquer cidadão envolvido num processo manda amáveis recados ao sistema judicial tipo "ó pá não te deixes influenciar pelo fládu flá e já agora os factos verdadeiramente factos são estes?".
Apesar de me sentir um pouco confusa com algumas explicações, vou confessar que partilho as suas preocupações. Isto nem parece nosso! Apreendem armas e como se não bastasse o dono delas é detido por não ter licenças e não ter declarado o transporte? Ora essa!! Uma pessoa já não pode transportar armas dum lado para o outro? Então aquelas regras sobre transporte de armas não são para decorar as alfândegas e tapar os buracos da parede? E aqueles avisos sobre o transporte de substâncias potencialmente perigosas são a sério?
E eu que julgava que as licenças os manifestos de cargas só se aplicavam nos países de primeiro mundo. Nunca me passou pela cabeça que se aplicavam aqui. Deve ser influência daquelas parcerias europeias e da globalização. E mais… é absurdo um país como Cabo Verde ter legislação que criminaliza a posse de arma sem licença. Ainda por cima crime abstracto... não temos Louvre nem Prado mas temos abstractos no Código Penal.
Não estranho que tenha achado, o que me conta, muito estranho e se calhar até uma leviandade das nossas autoridades. Abrir instrução por uma coisinha destas. Uma aberração! Então não se vê logo que foi um lapso meter as armazinhas no bidonzinho? Outro lapso o bidonzinho ir parar ao contentorzinho? E por causa destes zinhos incomoda-se assim as pessoas? Só porque as armas não foram manifestadas e declaradas? Que coisa mais estranha! Diz e muito bem que homicídio é que é crime! Agora fazer entrar armas no país sem dar cavaco a ninguém é uma bagatela. Como é que fica a morabeza cabo-verdiana?! E as assadas? Como é que ficam as assadas?
Deixe-me dizer que essa parte dos segredos entre marido e mulher hum hum… deixou-me um pouco constrangida. Não me parece muito bem estar a comentar, mesmo que só entre nós, parece riola. Felizmente não somos como essa malta lá estrangeiro que não respeita essas coisas entre marido e mulher. Aproveitavam logo para prender toda a gente incluindo o gato, o cão e o papagaio que em família não há segredos. Se não sabe, devia saber é o que os brutos iriam pensar e só se safavam as tartarugas que são espécie protegida.
Para terminar, que esta carta já vai longa, tenho de mais uma vez concordar com a sua epístola e acreditar na Justiça Divina: lá dizia o Virgílio da Eneida "aprende a conhecer a justiça e a não desprezar os deuses".
Para ajudar e não vá toda a gente resolver responder permita-me propor uma poll. É só disponibilizar um leque de opções e a malta escolhe a resposta que quer dar. E estas modernices já trazem uma opção “Eu acho que…" e cada um escreve o que entender se não estiver satisfeito com as opções. Muitíssimo Estado de Direito Democrático, não acha?

27 de março de 2008

Importa-se de repetir (III)

A reacção de Gilles Filiatrault à carta aberta dos trabalhadores da TACV mereceu segundo o jornal"Expresso das Ilhas" o seguinte comentário:
"Esse senhor resolve fazer o jogo político. Desresponsabiliza-se da sua gestão desastrosa e imputa responsabilidades a partidos políticos".
Este comentário de um dos deputados na AN mostra aquilo que os nossos políticos pensam da política. A definição de jogo político passa por desresponsabilização e imputação de responsabilidades a outros! E é privilégio dos políticos. Os demais têm de assumir as suas responsabilidades. Pois é bébé!
Lapsus linguae? Desenquadramento das palavras? Ou um corajoso assumir das características mais vincantes da nossa política?

26 de março de 2008

Naturally 7

E pensar que em 2007 andei pelos meros de Paris mas não tive esta sorte. Uma actuação privativa dos Naturally 7 - Garfield Buckley, Rod Eldridge, Warren Thomas, Jamal Reed, Roger Thomas, Dwight Stewart, e Armand "Hops" Hutton - um grupo americano de gospel e R&B.
Simplesmente espectacular esta performance no metro de Paris: "In the Air Tonight" de Phil Collins. Uma das minhas músicas de juventude que continua a passar repetidamente no meu som (sempre e só com Phil Collins)... mas esta versão selvagem dos Naturally 7 é também brutal. Arrepia!

25 de março de 2008

Eu quero um

A G24 Innovations (G24i) tem estado a desenvolver baterias solares para pequenos dispositivos como os telemóveis e os laptops. Estas células solares, leves e flexíveis, podem sem embutidas em mochilas e podemos carregar um móvel ou um laptop enquanto passeamos.
Além de já terem uma capacidade optimizada os preços destes carregadores já são competitivos ($20).
Eu quero um... poupa-se por um lado e reduz-se a dependência por outro hehe.

24 de março de 2008

The Greatest Silence: Rape in The Congo

Porque Março é mês da mulher e porque há coisas que perturbam nesta nossa África. Porque é horror. Para que se saiba e nunca se esqueça. Porque o silêncio tem de ser quebrado. Para que a mudança aconteça.
Extracto de documentário de Lisa F. Jackson, vencedora de um Emmy Award, que esteve em 2006 nas zonas de guerra do Congo oriental e documentou o horror vivido por mulheres de todas as durante o conflito - horrores que não são exclusivos do congo e se repetem, em maior ou menor grau, em todos os conflicos africanos - e os exemplos de resiliência, resistência, coragem e graça que nos dão a esperança.

23 de março de 2008

Trabalho na China

Excelente este documentário sobre o trabalho na China "Santa`s workshop - Inside China`s slave labor toy factories" de Lotta Ekelund e Kristina Bjurling. Com cerca de 35 minutos de duração mostra-nos o interior de algumas fábricas na China, fábricas de brinquedos (cerca de 75% são fabricados na China).
O baixo custo da mão de obra tem atraído inúmeras empresas que instalam a sua produção na China esquecendo convenientemente os motivos desse baixo custo - horários de 14 horas ou mais dia, baixíssimos salários, inexistência de direitos laborais, más condições de trabalho etc. etc. e o trabalho infantil que aparenta (aparenta pois as visitas às fábricas foram previamente autorizadas) ter diminuído por efeito da pressão dos consumidores.
Efeitos da globalização.
Podem encontrar o documentário AQUI.
Por cá vamos tendo também os nossos problemas, recordo que o primeiro estudo sobre o trabalho infantil em Cabo Verde foi realizado o ano passado e é possível encontrar os relatórios AQUI. Apesar do quadro legislativo generoso há trabalho a fazer no terreno.

21 de março de 2008

Criatividade

Daniel Sheridan um jovem estudante de design, impressionado com as dificuldades energéticas que encontrou em África, mais precisamente no Kenya, inventou um sistema de iluminação para escolas (e não só) partindo daquela velha brincadeira do cavalinho! A inspiração surgiu-lhe durante uma acção de voluntariado em Wasimi, a sul de Mombasa onde ajudou a construir uma escola: "The number of children we saw there that loved to play, and their energy and their vibrancy, I thought it would be great if I could somehow make use of this.".”
É simples! E por ser simples brilhante! O movimento de sobe e desce produzido pela criança enquanto brinca produz energia que é transferida para a unidade de armazenamento através de um cabo subterrâneo. Dez minutos de brincadeira iluminam uma sala de aula durante uma tarde…
Tal como Sheridan disse à BBC desenvolvimento sem energia é impossível. Nestas pequenas/grandes ideias estão muitas vezes as soluções para problemas concretos.
África precisa desta criatividade e destas soluções alternativas. Pensar os problemas e resolvê-los com criatividade.
As potencialidades de aplicação deste invento não se esgotam nas escolas do Kenya… é também uma solução para a pequena produção de energia para satisfazer, por exemplo, parte das necessidades domésticas e é bom lembrar mais uma vez a questão do ambiente e a importância da poupança energética - mesmo para quem aparentemente tem energia 24 horas dia/365 dias ano. A redução da dependência do combustível fóssil é hoje um imperativo global.
O nosso problema com a electricidade não começa nem se esgota na Electra. Se não reduzirmos a nossa dependência - e sejamos claros: o petróleo vai continuar a aumentar ou no mínimo o preço pouco vai descer - vamos ter problemas sérios. Criatividade e iniciativa precisam-se.

20 de março de 2008

Para relaxar... Elis

Para relaxar. Ou meditar. Elis Regina. Porque preciso de luz. Romaria.