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27 de dezembro de 2007

Uma morte anunciada

Benazir Bhutto, líder do PPP (Partido Popular Paquistanês) e primeira mulher que governou um país muçulmano, tendo exercido por duas vezes o cargo de 1º ministro, foi assassinada .
Depois de várias ameaças e tentativas Bhutto foi vítima de um ataque suicida que atingiu também os seus apoiantes em Rawalpindi.
A coragem e determinação desta mulher que regressou há bem pouco tempo ao Paquistão para disputar as eleições que vão ter lugar em Janeiro são lendárias. “Eu não escolhi esta vida, ela me escolheu” é uma das frases de Bhutto que ficam para a história. Tocante a forma como se descreveu na sua autobiografia “A Filha do Leste”: Nascida no Paquistão, minha vida reflecte a sua turbulência, as suas tragédias e os seus triunfos. Paquistão não é um país vulgar. E a minha vida também não foi vulgar”
E não foi mesmo. O pai, primeiro-ministro Zulfikar Ali Bhutto, foi executado depois de um golpe militar em 1977, os dois irmãos assassinados, um na França e outro num tiroteio em Karachi. Depois da execução Ali Bhutto, Benazir Bhutto tornou-se a principal líder do PPP, foi presa por diversas vezes e foi por duas vezes eleita primeira-ministra
O Paquistão, por seu turno, apesar de ter sido a primeira república islâmica do mundo, tem uma turbulenta história de alternância entre democracia e ditadura. Fruto tal como a vizinha Índia da dissolução do império colonial britânico da Índia, em 1947, o Paquistão tem enfrentado sucessivos conflitos mantendo com a Índia uma relação turbulenta a que não é alheia a ocupação de Caxemira
A visão moderada de Bhutto e a sua luta por tornar o Paquistão um país moderno e democrático tornou-a um alvo das organizações de carácter fundamentalista e o seu regresso em Outubro foi sangrento.
Neste momento procuram-se culpados e responsáveis. Mas como é possível que depois de ter escapado a um atentado que vitimou à volta de 150 pessoas Benazir Buttho tenha sido tão mal protegida?

Wake up

23 de dezembro de 2007

Feliz Natal, Happy Chirstmas

Um Feliz Natal para todos nós.

19 de dezembro de 2007

Música de Mayra Andrade

Neste nosso Cabo Verde abundante de ritmos despontam nomes que suscitam reconhecimento mundial. No caso de Mayra Andrade não será bem um despontar mas a consagração desta jovem, dona de uma voz fabulosa, que de há alguns anos a esta parte nos vem encantando.
Descobri há pouco tempo que Mayra Andrade foi nomeada para o Awards for World Music da BBC Radio 3. É de toda a justiça esta nomeação tal como o prémio da crítica alemã pelo seu disco Navega, um poderoso álbum predominantemente acústico.
Uma das minhas favoritas do álbum “Navega” é Tunuca, uma espectacular interpretação do sucesso dos Tubarões e do grande Ildo Lobo.

Gostaria de ter escrito

As consequências da globalização no continente africano ou como os hábitos alimentares europeus influenciam a economia africana.
Lido no Con(ou sem)tigo:
"As relações com África e a globalização assimétrica podem ser explicada através das galinhas. Na Europa come-se o peito do frango e exporta-se as pernas para África a preços imbatíveis. Consequência: os avicultores africanos não conseguem competir com os preços praticados. Ver a notícia no bilaterals.org . Um exemplo, de como uma economia africana pode ser dizimada a partir de uma história de galinhas nos Camarões…"

17 de dezembro de 2007

Dia Internacional do Migrante

Celebra-se amanhã, 18 de Dezembro, o Dia Internacional do Migrante instituído em 2000 pela Assembleia-geral da ONU com o objectivo de difundir os direitos humanos e liberdades fundamentais dos migrantes.
Numa declaração assinalando a data a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Louise Arbour, afirmou que a população migrante constitui uma parte essencial da força de trabalho dos países que os recebem, e que além disso, enriquecem culturalmente os países nos quais vivem servindo de ponte entre pessoas num mundo cada vez mais globalizado.
No entanto, a ONU reconhece que esta é só uma parte da situação real. Nas palavras de Arbour, a migração também tem implicado exploração, exclusão, discriminação, abuso, violência e outras violações dos direitos humanos. A par disso o tráfico de migrantes levado a cabo pelas redes de contrabando e do crime organizado é um problema sério.
"Não devemos poupar esforços para erradicar o tráfico humano, proteger quem possa cair preso nessas redes de contrabando e responsabilizar quem beneficia do sofrimento humano" afirmou a alta comissária.
O fluxo de emigrantes ilegais para a Europa continua a aumentar e constitui um negócio bastante lucrativo para os traficantes de migrantes mas uma autêntica catástrofe humana; os imigrantes efectuam viagens longas e perigosas em botes de borracha ou embarcações pequenas que muitas vezes naufragam, com a consequente perda de vidas humanas
Só na semana passada mais de 200 pessoas morreram afogadas em incidentes separados na Turquia, Canárias e Iémen
Cabo Verde está numa situação específica de país de trânsito entre países da África Ocidental e a Europa, e a sua posição converte o país num território privilegiado e estratégico, uma verdadeira plataforma logística no mar para a imigração irregular e já se registaram várias intercepções mas também operações de salvamento de emigrantes provenientes da Guiné-Bissau, da Guiné Conacry, do Senegal, da Gâmbia, do Gana, da Nigéria, da Serra Leoa e do Mali que tentavam seguir para as ilhas Canárias para posteriormente partir para a Europa.
Um dos instrumentos internacionais que pode ajudar à protecção destas pessoas é sem dúvida Convenção Internacional sobre a Protecção dos Direitos de todos os trabalhadores migrantes e seus familiares, aprovada há cerca de 12 anos mas ratificada por apenas 34 países.

16 de dezembro de 2007

O silêncio mata... a tua voz salva

15 de dezembro de 2007

Fala-se de: segurança

A segurança ou a falta dela é o tema na Praia. Muito fládu flá sobre a violência e o crime. O caçu-bodi entrou na terminologia do dia à dia e difícil é neste momento encontrar alguém que não tenha sido vítima. De furto por esticão, roubo, assalto à mão armada, furto simples. E, não são poucos os relatos de vítimas que dão conta de espectadores impávidos e serenos, se calhar felizes por não serem eles a vítimas – o que me lembra sempre Brecht: primeiro levaram o vizinho e eu não liguei porque não era comigo, hoje levam-me a mim.
A marcha programada para hoje tinha, segundo sei, a intenção de protestar de reclamar desta situação. Exigir uma maior intervenção das polícias – a talhe de foice: temos pouco mais de 1000 agentes para cerca de 430.000 pessoas. Deixa ver: se fizermos de conta que se dividem por três turnos de 8 horas e não têm folgas, nem férias e nunca estão doentes temos um polícia por cada 1290 pessoas. Se não fizemos de conta e nos lembrarmos que por cada um são cinco como mandam as regras… está tudo dito. De qualquer maneira o milagre da multiplicação dos peixes (perdão dos agentes) é pedido por todos nós!!
Espero que a marcha tenha ido mais além do que o simples pedido de mais (o tal milagre) policiamento pois me parece que existe pouca consciência social sobre as formas de defesa a esta insegurança.
Preocupa-me ouvir falar da questão como se de tarefa exclusiva do Estado através das suas polícias se tratasse. A segurança tem dimensão de interacção e solidariedade social que impõe cada vez mais a união de esforços entre a polícia e a sociedade civil. Uma sociedade civil que não pode ficar especada a assistir.
É necessário consciencializar e motivar o cidadão a participar não só na garantia da sua segurança individual como também na defesa da segurança colectiva. Mobilizar os cidadãos em geral para um envolvimento activo em problemas como a toxicodependência, a delinquência juvenil ou, mesmo, a sinistralidade rodoviária, que contribuem para a insegurança e para o sentimento de insegurança que promove a própria insegurança - confundindo-se muitas vezes insegurança com sentimentos de insegurança - numa espiral (ou pescadinha de rabo na boca)difícil de ser quebrada.
Este post já vai longo (o tema tem pano para mangas) e apenas queria fazer notar que a segurança é um problema de todos, para o qual todos têm o dever de contribuir, na prevenção e na repressão e acima de tudo com uma cidadania mais responsável. A democracia implica liberdade, tolerância e solidariedade, mas é incompatível com a irresponsabilidade.