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6 de junho de 2008

José Maria Neves

Esta noite gostei de ouvir o Primeiro Ministro. Parece que finalmente se livrou do complexo de super-protecção e reconheceu que não somos crianças, não somos assim tão desinformados (como alguns parecem fazer crer) e disse a verdade.
Vêm aí tempos difíceis.
Melhor dizendo: já chegaram.
Combustíveis. Alimentos. Desaceleração da economia mundial globalmente considerada. Imobiliário. Desinvestimento. Acreditasse eu nessas coisas e diria que são os sinais do fim do mundo hehe
Foram atempadas as almofadas possíveis. As pequenas precauções de reforçar as classes mais baixas, de isentar alguns produtos. A parceria. A mobilidade.
Imagino o porquê do aumento dos alimentos ainda não nos ter atingido em cheio e de forma brutal como aconteceu em muitos países... imagino o porquê dos preços dos nossos combustíveis face ao preço de outros países.
Mas é inevitável que nos chegue, que nos toque, por melhor que seja a gestão, e, Senhor PM é bom que o saibamos... e que o diga
E saiba o Senhor PM que podia e devia tê-lo dito há mais tempo, porque, afinal:

O mar transmitiu-nos a sua perseverança
Aprendemos com o vento o bailar na desgraça
As cabras ensinaram-nos a comer pedras para não perecermos
...
E as estiagens já não nos metem medo
porque descobrimos a origem das coisas
(quando pudermos!...)
PS: Porque não gravar no betão da barragem os flagelados do Vento Leste?

19 de maio de 2008

Importa-se de repetir (VII)

Pois é bebé! O candidato do MPD à Câmara Municipal da Praia reclama vitória!! Com cerca de 25% das mesas contadas e uma diferença em número de votos inferior a 300!! Precipitação? Inexperiência política? Importa-se de repetir? Sem se rir?
Outras opções se desenham e não me agradam. reclamar vitória, comemorar vitórias quando nem a meio da primeira parte se chegou parece-me chamar estúpidos aos outros (a mim e a todos os cabo-verdianos) ou pior ainda tentar provocar os ânimos, gerando dúvidas e desconfianças. Há políticos que se recusam a sair do 3º mundo.
Pois é bebé (ou será que é bebe). A ver vamos. Eu cá espero pelo fim do jogo!

Autárquicas

Acabou. A campanha e a eleição. Só não acabam os disparates.
Não votei. Mais uma fiz por ignorar o que me diz Brecht: "Não há pior analfabeto que o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. O analfabeto político é tão burro que se orgulha de o ser e, de peito feito, diz que detesta a política. Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política é que nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, desonesto, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."
Não me arrependo. Poucas foram as propostas que ouvi… promessas essas ouvi muitas. O “como” é que vão ser cumpridas é que não ouvi. Ouvi muito denegrir o outro em detrimento de propostas concretas. Chateia! As insinuações de fraude também. Chateia! Denegrir o país em prol da vitória numa autarquia deixa-me sem comentários. Jimi Hendrix socorre-me: "Quando o poder do amor se sobrepuser ao amor pelo poder, o mundo conhecerá a paz". Há quem ame demais o poder!!!
O saber aceitar uma avaliação negativa dum trabalho é tão importante como saber aceitar uma expectativa positiva num desempenho.
E nisto é preciso saudar a Zau. Pela campanha digna, pelas palavras pós vitória e destaco e sublinho: a avaliação negativa nalgumas zonas do concelho serve para melhorar o meu desempenho e corrigir os erros. (citação de memória)
Grande mulher. Até pelo lenço amarelo… sem os complexos cromáticos que grassam por aí.
Estivesse eu aí e talvez não me estivesse a lembrar de Brecht

5 de abril de 2008

Aquela carta... não é para mim

Volto atrás. Confirmo os destinatários. Esta epístola dirigida à Nação, por um deputado, tem alvos destinatários devidamente identificados. Não é para mim que sou anarquista graças a Deus!
Porra Que alívio!
Mas o choque mantém-se. Continuo a leitura e custa-me a crer. Esta viagem interior deve ter sido doída. Louve-se a coragem (ou a loucura) de a empreender. Eu sei que algum dia em qualquer parte, inevitavelmente, temos de nos encontrar connosco próprios e só de nós depende que seja a mais amarga das nossas horas ou o nosso melhor momento.
Quero crer que essa hora foi amarga para o remetente deste esclarecimento: " ... permanente crise de identidade, má consciência, autoperversão, autonegação..." e um remate final perfeitamente assustador: "... a história das taras e das profundas tendências esquizofrénicas e suicidas do MPD". Os epítetos são mais, muitos mais, e cada um pior que o outro. Caramba, antes burro que de entre todos os animais da Terra foi o escolhido por Deus para transportar o seu filho.
Vem-me à mente a citação (lida há pouco tempo no Con(ou sem)tigo) de Jimi Hendrix: "Quando o poder do amor se sobrepuser ao amor pelo poder, o mundo conhecerá a paz." Jogos de poder hehehehehehe
Chamem os psicólogos, os psiquiatras os polícias e os homenzinhos de bata branca! E levem-me... a mim que não sei se hei-de rir ou de chorar. Tirem-me deste filme.

12 de março de 2008

Obama soma e segue... Bush disparata como de costume

Uma verdadeira máquina trituradora este Obama. Vitória no Mississippi última etapa antes da Pennsylvania em Abril. As coisas estão negras para Hillary Clinton hehehe!
Enquanto o Democratic Party enlouquece nesta party absurda em que se tornaram as primárias, George W. Bush vai fazendo das suas para terminar o mandato em beleza.
Acaba de vetar uma lei do Congresso que proibia a CIA de recorrer à tortura e a técnicas de interrogatório violentas ao lidar com suspeitos de terrorismo como o simulacro de afogamento. Técnica que o director da CIA, Michael Hayden admitiu ter sido empregue em três suspeitos detidos após o 11 de Setembro.
Segundo Bush mantém-se a ameaça terrorista, pelo que é preciso "garantir que os nossos elementos dos serviços de informação têm ao dispor todos os instrumentos necessários para neutralizar os terroristas".
Votada em Dezembro pela Câmara dos Representantes e ratificada em Fevereiro pelo Senado, a lei estabelecia as regras de financiamento dos serviços de informação, e continha uma disposição obrigando a CIA e as restantes agências a seguirem as regras de interrogatórios em vigor para os militares adoptadas depôs de serem conhecidos os episódios de violência e tortura sobre os detidos em Abu Ghraib.
Nunca mais chega Novembro para este gaijo ir embora!! Espero que Clinton e Obama não queimem as probabilidades de ganhar o duelo com McCain nesta luta fraticida em que se envolveram.

25 de fevereiro de 2008

Para políticos (e não só)

Estamos em período eleitoral e o deserto de ideias e as polémicas recorrentes já estão por aí em força.
O Sanpadjud tem o prazer de colaborar com os nossos políticos oferecendo o quadro ao lado que permite falar durante horas sem dizer nada – sempre é melhor do que dizer disparates e evita-se o embaraço de dizer qualquer coisa útil ou interessante.
Podem tentar todas as combinações possíveis… qualquer expressão da coluna 1 com as colunas 2, 3 e 4. São possíveis mais de 10 000 frases inóquas! Este quadro permite ao trafulha charlatão incompetente intrujão embusteiro aldrabão político falar mais de 40 horas!!!
Exemplo de utilização do quadro:
“Por outro lado o desenvolvimento de formas distintas de actuação prejudica a percepção da importância dos conceitos de participação geral”
Para aumentar o quadro basta clikar. Ah, também pode ser muito útil a consultores, peritos etc.

27 de janeiro de 2008

Barack Obama

A vitória do senador Barack Obama na Califórnia do Sul implica que tem de ser levado a sério naquela luta fratricida entre o género e a raça em que os Democratas se conseguiram envolver. Não só pela clara margem que obteve sobre Hillary Clinton – 28 pontos percentuais!!!! – mas também pela proeza de levar às urnas mais democratas que o habitual. Há quatro anos atrás houve 293 000 votos democratas nas primárias, neste sábado Barack Obama, sozinho, obteve mais que aquele número de votos.
Depois de uma semana cheia de troca de palavras e acusações mútuas – utilização do factor raça/género – Barack Obama no seu discurso de vitória afirmou que as eleições “not about black vs. white, but about the past vs. the future."
Acredito. Parece-me, cada vez mais, que qualquer que seja o resultado, destas eleições nos USA, o passado foi posto em causa e o futuro pode ser diferente.Uma coisa é certa, a pressão sobre os Clinton (sim, parece-me uma candidatura a dois a Hillary e o Bill hehe) agora (Feveriro) que começam as rondas em Estados mais populosos, California, New York, Colorado, New Jersey, Arizona, é sem dúvida maior.