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23 de fevereiro de 2013

Reflexão


Vai fazendo escola neste país um movimento tóxico caracterizado por promover a infantilização da discussão e recorrer a temas e conteúdos falsos para corroer a credibilidade das instituições.
A última do José Manuel Vaz é um bom exemplo: depois de bombásticas afirmações alegando redução da pensão no regime contributivo (aproveitando para insultar tudo e todos) estranhamente, dá o assunto por encerrado. Afinal era um mero pretexto forjado para envenenar a discussão e tentar tirar proveito ilegítimo da suspeição lançada.
Claro que, neste caso, do José Manuel Vaz o problema também pode ser de domínio da Língua, isto é, da plena capacidade de leitura e escrita. A língua é um instrumento facilitador da organização do pensamento. Uma pessoa que tem plena consciência do que está sendo dito pensa melhor. Ler nunca foi fácil, é um processo de apreensão de conteúdos. Só se lê de facto quando o escrito é percebido – exemplo cada vez mais frequente é o de um aluno que lê um livro mas que não sabe explicá-lo porque fez apenas uma pseudo leitura e não procedeu ao processo de produção/apreensão de significados e sentidos.
Pode bem ser este o caso do José Manuel Vaz… Recomenda-se pois leitura, leitura, leitura. Um indivíduo que tem plena consciência do que ouve ou lê pensa melhor.
Pensando melhor, argumenta melhor. Argumentando melhor não necessita de recorrer à violência verbal, ao insulto fácil e grosseiro para fundamentar as suas afirmações… o presidente de um sindicato deveria saber que numa democracia as instituições da República podem ser criticadas e até desprezadas ou mesmo detestadas, mas não podem ser achincalhadas… porque o que se achincalha é o Estado e por via disso os cidadãos… até aqueles que como eu não votaram neste Governo. 
NOTA: Este post pode ser tóxico se não usares o teu senso crítico!!

14 de janeiro de 2011

Importa-se de repetir?

O ex-ex-primeiro-ministro-ex-ex-candidato-a-Presidente-e-candidato-a-qualquer-coisa, exibindo uma esplendorosa gravata verde afirmou no debate da TCV: “ 70 mil famílias cabo-verdianas não têm casa.”
Pois é bebé!!! Importa-se de repetir?
Ora 70.000 x 5 (mãe pai e 3 filhotes) dá 350.000. Ou seja DEixa ver se entendi: 350.000 cabo-verdianos não têm casa. Ora se somos 480.000… arredondando para meio milhão só 150.000 cabo-verdianos têm casa… ooops só 30.000 famílias cabo-verdianas têm casa… só um terço dos cabo-verdianos tem casa. Dois em cada três cabo-verdianos não têm casa.
Eu tenho por isso tu que estás a ler este blog não tens… e o amigo que está ao teu lado também não tem.
Até me apetece dizer como o Eurico Monteiro a propósito de um outro catavento: "Desculpem-me mas eu acho que ele diz mais é tontices. Diz mais tontices do que coisa com coisa."
Pois é bebé. Importa-se de repetir?

15 de setembro de 2009

Pois, temos pena! Tadinho do crocodilo

Uma volta pela blogolândia e pelos media obriga-me a prestar solidariedade ao ex-ex-primeiro-ministro-ex-ex-candidato-a-Presidente-agora-auto-nomeado-líder-do-MpD-e-futuro-candidato-a-qualquer-coisa (para simplificar o ex-ex).
Que grande arapuca.
Depois de duas tentativas para ser o primeiro entre os primeiros, toca a recuar para tentar ser apenas-primeiro outra outra vez! Pois, não há outro remédio… perder as legislativas significa outro baile nas presidenciais. Perder pois os cata-ventos nem por engano acertam com a política de oposição tal o trauma da orfandade
Pois temos pena! Tadinho do crocodilo.
Forçado a auto nomear-se líder dos cata-ventos – ok, ok tanta incompetência para fazer oposição irritaria qualquer um, mas carga de ombro a destempo no todos-sabiam-menos-ele-líder-mais-um-para-queimar?! – para tentar um milagre.
Forçado a enfrentar um Snows (assim baptizado pelo Abraão) ganhador de duas (bah não vale a pena referir as outras) eleições a quem uma eventual derrota não faz mossa – reputação internacional invejável, líder incontestado e, caramba, cada dia mais charmoso, imagino a fila para consolar... será que aceitam reservas de lugar?!
Convenhamos ao ex-ex a derrota calha mesmo muito mal… seria um this is the end my dear friend the end of our elaborated plans (cantado pelos Doors claro) e fila hohoho: o Pai Natal a contar uma estórinha ao à-procura-de-dono que chora por ficar sem prendinhas.
É caso para um sincero pois, temos pena. Tadinho do crocodilo.

4 de julho de 2009

Blogolândia em silêncio

A "bomba" no Sal deixou a blogolândia sem reacção ou ela está simplesmente desinteressada? As três semanas do julgamento foram interessantes e foi visível uma nova postura do MP. Uma equipa no Sal (dois procuradores e um procurador geral adjunto) apoiada pela equipa especializada em criminalidade organizada da PGR aqui na Praia.
E, esse trabalho deu frutos. Viu-se que foi preparado com tempo e com coordenação firme.
Frutos que estranhamente não são referidos numa blogolândia que há bem poucos dias reclamava acção. Um silêncio estranho quando é também visível a tentativa de politização nalguns on-line - o advogado que pertenceu ao MpD e ao PRD do Dico de repente é transformado no irmão querido do PM. Tenham paciência!
Mas se assim é a mensagem é muito clara: nem o meio-irmão do PM está acima da lei.
A mão do PGR (com costas quentes na MJ) é bem visível neste processo.
A prisão preventiva foi decretada mas independentemente de quaisquer resultados a verdade é que se marcou posição de forma ousada.
PS: Interessante que nas news se diga que o Dico foi nomeado pela OACV que rapidamente descobriu que nenhum advogado do Sal defenderia o Barbosa e contactou o Dico, nomeou-o (será assistência judiciária?) e colocou-o no Sal a tempo do primeiro interrogatório!!! Grande eficácia.

11 de abril de 2009

Cata-ventos e regresso anunciado

Anuncia-se o ex-ex-primeiro-ministro-ex-ex-candidato-a-Presidente, Carlos Veiga, como candidato à liderança dos cata-ventos (MpD). À incógnita da terceira candidatura consecutiva a Presidente adiciona-se a incógnita da candidatura a PM!!!
O ex-ex-primeiro-ministro-ex-ex-candidato-a-Presidente quer sair da sombra e está em plena forma diz-se… hum hum afinal os cata-ventos não estão tão seguros das suas possibilidades de ganhar as legislativas. A governar em crise desde 2006, e segundo se diz desgovernados, os papainhas doces (PAICV) lá vão dando conta do recado e só quem é pior que cego (aquele que não quer ver) é que não vê o que foi feito neste país…
O ex-ex-primeiro-ministro-ex-ex-candidato-a-Presidente-futuro-candidato-a-qualquer-coisa está disposto a liderar os cata-ventos no semear de ventanias dos últimos anos… disposto a expor-se a mais uma derrota.
Curiosamente (ou não?) os cataventos querem retirar da Constituição a cláusula que impede o estabelecimento de bases militares por aqui. Tentando abrir uma porta na economia? Tentando abrir uma via sempre recusada pelos papainhas doces (PAICV) na estratégia de desenvolvimento, só para o caso do ex-ex-primeiro-ministro-ex-ex-candidato-a-Presidente-futuro-candidato-a-qualquer-coisa ficar com a batata quente nas mãos?
Sabe-se lá…
O ex-ex-primeiro-ministro-ex-ex-candidato-a-Presidente-futuro-candidato-a-qualquer-coisa, lembra-me Flaubert "A medida de uma alma é a dimensão do seu desejo". O desejo de ser PR de um Cabo Verde (mergulhado no abismo segundo dizem os cata-ventos) deve ser muito… hum hum preciso de Alka-Seltzer.

10 de março de 2009

Sócrates e os Magalhães

Li por aí que o Sócrates vem cá passear e doar 12000 Magalhães. Confesso que não percebi nem uma coisa nem outra.
De férias? Três dias a correr de um lado para o outro são férias? A "coisa" deve estar mesmo má quando o PM português não consegue passar uns dias de folga sem o elenco governamental. Claro que outra explicação do tipo: Cabo Verde interessa a Portugal e à UE e pode trazer mais-valias a um Portugal desgastado em África, não serve porque implicaria reconhecer o trabalho de credibilização do país que foi feito. Alguém se lembra da economia cabo-verdiana em 1999? Pois...
Doar 12000 Magalhães? Tenham dó... naif sim mas não tanto. Claro que há outra explicação: Sócrates vem garantir a sobrevivência, neste momento de crise, de uma (ou mais) empresa portuguesa que fabrica pc`s - para descobrir qual usar a Net. São postos de trabalho, famílias fora do desemprego... são 150000 pc`s a acrescer ao negócio da Venezuela e o investimento feito fica salvaguardado sem dumping. Mas esta explicação também não agrada porque implica reconhecer Cabo Verde como um mercado apetecível e também reconhece as ilhas como uma lança na África lusófona.
Pois então deite-se fora a lógica (silogística que seja) e que venha mesmo passear e doar Magalhães. Seja como for é lucro... e a comitiva de 120 pessoas sempre há-de cá deixar uns euro$$$$$

27 de fevereiro de 2009

Post perigoso

Quando os blogs opinam, criticam, insinuam, lançam suspeitas ou, mesmo, condenam sumariamente alguém (em especial políticos ou sempre políticos) é sempre em nome da liberdade de informação e de opinião, sem limites. Quando, ao invés, um blog se permitir criticar outros blogs, será a "censura" ou a politização.
Este é um post perigoso, vai contra a maré dominante mas sinto-me crítica ou melhor sinto-me como pessoa que se vangloria de ser de satisfação difícil, porque ninguém lhe tenta agradar (Dicionário do Diabo) e cá vai:
No bloguismo dominante avulta um estilo habitualmente apostado em negar qualquer progresso e qualquer perspectiva de saída favorável para Cabo Verde. Segundo essa visão, falhámos todos os desafios da história recente e estamos condenados a arrastar-nos numa apagada e vil tristeza até ao fim dos séculos. Qualquer acontecimento mais grave é transformado numa demonstração inequívoca da nossa incapacidade e da nossa condenação.
Para provar essa condenação atiram contra tudo o que mexe, apoiando indiscriminadamente todos os protestos, piscando o olho aos ressabiados dos vários quadrantes, fazendo de cada fládu flá uma certeza e um facto, numa autêntica histeria especulativa e ai das pessoas que gostam de pensar aquilo que estão a ler!!!
Mandar bocas, fixar frases soltas, e criticar negligentemente o que nem sequer conhece tornou-se um must intelectual ainda mais interessante quando não se olha a meios e se procura sistematicamente ferir na honra e dignidade. O ruído ganha sempre. ..
Hesitei entre três textos qualquer deles pleno de significado, para mim, neste momento, um de Robert Musil do O Homem sem Qualidades, outro de Ortega y Gasset em A Rebelião das Massas e acabei por optar por este de Aldous Huxley, do Regresso ao Admirável Mundo Novo sempre tão actual e insidioso:
“Os ideais da democracia e da liberdade chocam com o facto brutal da sugestibilidade humana. Um quinto de todos os eleitores pode ser hipnotizado quase num abrir e fechar de olhos, um sétimo pode ser aliviado das suas dores mediante injecções de água, um quarto responderá de modo pronto e entusiástico à hipnopédia. A todas estas minorias demasiado dispostas a cooperar, devemos adicionar as maiorias de reacções menos rápidas, cuja sugestibilidade mais moderada pode ser explorada por não importa que manipulador ciente do seu ofício, pronto a consagrar a isso o tempo e os esforços necessários.”
Para quem enfiar a carapuça: (i) a carapuça tem razões que a razão desconhece (ii) é uma atitude de abertura ao olhar dos outros (iii) avaliar se nos serve é um juízo de honestidade intelectual só disponível, evidentemente, para quem possua um certo grau de auto-estima. Por isso nada de reclamações...

30 de janeiro de 2009

If there’s anything more important than my ego

"If there’s anything more important than my ego around, I want it caught and shot now."
The Hitchhiker's Guide to the Galaxy de Douglas Adams.
Devia ser de leitura ou audição ou visionamento obrigatório. Para não nos levarmos tão a sério.

18 de janeiro de 2009

A blogolândia

Coscuvilhice tem a função de válvula de escape social antiquíssima: Uma comadre mexerica sobre outra, a outra apercebe-se e lá iam os rockets: “Andas a dizer mal de mim, sua p#*&?” E num instante, toda a gente ficava a saber da briga. Seguem-se normalmente episódios rocambolescos de peixeirada que deliciam uma plateia interessada num bom motivo para passar o tempo e normalmente sedenta de sangue.
Hoje, qualquer um que se preze como ser socialmente bem inserido, nesta lógica mercantilista de vida, tem de ser mexericado. Caso contrário tem como pena cruel e desumana: o anonimato. Vai daí a malta “auto-mexerica-se”.
A blogolândia não ficou imune à cultura da auto-promoção através do mexerico. Há quem seja figurante de novela com enredos ora épicos ora trágicos, dirigindo os sentimentos do pretenso público entre a compaixão em relação às vítimas e o ódio em relação aos mauzões. A “vítima” passou a ser a heroína de quem se fala pelos motivos mais confusos e os mauzões descem em popularidade.
Qual é a causa primeira deste fenómeno? O mercado leia-se o número de leitores – aproveitando esta tendência o blogger sarcasticamente lançou a moda dos “seguidores” hehehe!!!

17 de janeiro de 2009

What about now...

O nível de expectativas é tanto e às vezes tão estapafúrdio que me apetece dar-te colo brother. Ao mínimo erro eles vão estar lá, prontos para te imolar... todos os bajuladores, adoradores e outros que tais.

13 de junho de 2008

A verdade que temos de enfrentar

Temos pela frente tempos difíceis. Não há como escapar a esta realidade. Países com maior margem de manobra e menor dependência externa também vão (já estão) sofrer.
Crise alimentar. Crise do petróleo. Arrefecimento da economia e um mercado tão volátil que estremece a um simples comentário do Presidente do BE. Efeito dominó.
A fome já chegou e montou praça em alguns países. Noutros o desemprego sobe a olhos vistos. A ajuda e o financiamento externo tardam e os países que a recebem são escolhidos a dedo. Da conferência alimentar saíram 10 milhões de dólares quando a própria FAU pedia 30 milhões para as necessidades imediatas!
Em momentos como este a demagogia e o incitamento à instabilidade económica são de uma total insensibilidade. As declarações de alguns políticos e empresários deixa claro que os primeiros não têm o mínimo conhecimento da gravidade do que se passa por este mundo fora ou têm por superiores outros interesses, os segundos consideram intocáveis os seus lucros.
Temos de cerrar fileiras e preparar este país para o pior pois só assim podemos esperar o melhor, e se as palavras não chegam fica o desenho, um cartoon espectacular de Gary Varvel... acho que não é preciso dizer que o pequenino somos nós.

9 de junho de 2008

Idiossincrasia??

Acho graça à patologia autodepreciativa em que nos comprazemos! A nossa opinião sobre o estado do país é quase sempre pior do que os factos. Deve fazer parte do carácter nacional. Se calhar é uma idiossincrasia. E inclui muitos casos de disparidade entre a realidade e a sua percepção.
Por exemplo, diz-se por aí que o país está pior, ora, entre 1999 e 2007 (poderíamos fazer um exercício melhor, de 1975 a 2007, pois há quem ignore que este país nasceu de cofres vazios) é inegável o desenvolvimento de Cabo Verde – No Relatório de Desenvolvimento Humano em 1999 o indicador de Cabo Verde era 0.677, em 2005 atingimos 0,721 [o país da África Negra com resultado + elevado] e em 2007/2008 o indicador é 0,736, quem quiser confirmar basta ir à fonte - mas ignorando os critérios internacionais basta uma boa olhadela ao país:
Há 30 anos a mortalidade infantil era de 108 crianças por cada mil, actualmente estamos abaixo dos 30. Comparando: em Angola, que assim como Cabo Verde é uma antiga colónia portuguesa, um quarto das crianças morrem antes de completarem cinco anos - um número oito vezes superior a Cabo Verde. E isto tendo Angola o mesmo rendimento per capita que Cabo Verde que não tem o petróleo, os diamantes. A esperança de vida de 70 anos é impressionante comparando com a do nosso vizinho Senegal no qual a média da esperança de vida é de 61 anos e de Angola e Moçambique em que ronda os 41 anos.
Um outro exemplo tem a ver com a corrupção. Quer-se fazer passar à força a ideia de que a corrupção é omnipresente e está em crescimento. Contudo, os dados não confirmam o cenário, e observadores internacionais qualificados, como a Transparency Internacional, colocam Cabo Verde em 49º lugar nos países menos corruptos a nível mundial num estudo que abrange 179 países. Sem dúvida que neste indicador como em outros temos de continuar a melhorar - foi aliás a primeira vez e só isso já é positivo que o nosso país foi observado pela TI - mas não somos nem de perto nem de longe um país de corruptos.
Também aqui basta uma olhadela mais atenta ao país: titulares de cargos políticos ou públicos que enriqueceram subitamente, que passaram a proprietários de empresas em sectores chave, não passam despercebidos num país pequeno. Se os há nós sabemos quem são, ou não?
Podem existir factores psicológicos (se calhar até genéticos pois esta é uma tendência profundamente portuguesa) que justificam esta mania nacional, mas entre essas justificações encontro a própria comunicação social, que sistematicamente destaca os traços mais sombrios da realidade social, desprezando ou desvalorizando os aspectos positivos. Existe um populismo noticioso que sublinha a grosso os aspectos negativos e omite ou deprecia as notícias positivas.
Só as más notícias são notícias, mesmo quando não são verdadeiras. É notícia o crime, não a captura do criminoso; a subida da inflação, não a sua descida; a subida do desemprego, não o seu decréscimo. Exemplos? O mais recente: Anuncia-se em grandes parangonas a taxa de manutenção rodoviária, mas provavelmente nunca houve nem haverá notícias a sublinhar a importância do investimento feito (e a fazer) nas estradas e a necessidade da sua manutenção. Não me recordo de ter lido nos jornais que a mobilidade de pessoas e bens é um factor importantíssimo para o aumento da empregabilidade neste país.
Houve na blogolândia quem concluísse que as famílias pobres são as que mais sofrem com a TSMR, uma taxa que tem como pressuposto o princípio do utilizador pagador: quanto mais abasteces_mais circulas_mais usas_mais pagas! Ficámos pois a saber que uma família pobre ou remediada, sem automóvel, pode ser mais afectada pela subida dos combustíveis do que uma família com rendimentos médios ou altos que possui dois carros em utilização corrente... Há coisas improváveis, não há!? Não é inocente a pressão da Moura Company – ela sabe que não pode, por o sector ser regulado, repercutir pelo menos imediatamente a taxa no seu utente…
Ao tratamento noticioso acresce o comentarismo nacional – incluo aqui os blogs - onde realça um estilo habitualmente apostado em negar qualquer progresso do país. Qualquer acontecimento mais grave é transformado numa demonstração inequívoca da incapacidade governativa. Qualquer acontecimento positivo e assobiam para o ar ignorando propositadamente...
As reformas e a modernização são encaradas com dúvida ou displicência: uns teimam em negar a existência de qualquer verdadeira reforma, outros apressam-se a apoiar todas as resistências às mesmas, por mais corporativas ou injustificadas que sejam.
Na verdade, toda a firmeza na condução de reformas modernizadoras corre o risco de ser apelidada de autoritarismo ou, mesmo, como é hábito de totalitarismo de partido único, apesar de mais de metade da nossa história se ter passado em regime democrático.
Claro que que a vulnerabilidade da opinião pública ao enviesamento informativo e opinativo é tanto maior quanto menor for o nível de educação e de autonomia crítica na sociedade. Manifestamente, ainda estamos mal colocados em ambos esses critérios!
Mas esta é só a minha opinião! E não se destina a fazer opinião... porque lá diz o ditado "a cada cabeça a sua sentença".

23 de abril de 2008

Importa-se de repetir (V)

Pois é bebé! Não li a página toda, nem metade li; fiquei-me pelo primeiro parágrafo por absoluta falta de paciência da dita apropriadamente designada Opinião.
Não tenho nada a dizer quando se trata de opinião. As opiniões são como os chapéus: há muitos! Ou como as cerejas que vêm sempre aos pares! Opinião de advogado já se sabe: uma do próprio, outra paga pelo cliente e mais uma para a eventualidade de acordo.
Tenho uma curiosidade. Uma daquelas curiosidades que mata o gato.
O ilustre opinante é deputado da Assembleia Nacional. O diploma foi aprovado por unanimidade naquela Assembleia. Será que adormeci durante a transmissão radiofónica do debate e perdi esse voto contra corrente da própria bancada com fundamento em inconstitucionalidade?!
Claro que há mais hipóteses. Deixa ver: o digno advogado deputado não estava na sessão e no mês que antecedeu a discussão do diploma não teve tempo de dar uma vistinha de olhos e alertar os colegas de bancada (os quais naturalmente por não estarem à altura da coisa não se aperceberam da coisa).
Ou adormeceu no momento imediatamente antes por força da verborreia de algum colega deputado! Ele há alguns que fazem adormecer um hiper-activo.
Ou numa segunda e mais atenta leitura (eu cá leio mais atentamente quando me pagam mas isso sou eu) Eureka, fez-se luz e “ó pá, querem lá ver que esta inconstitucionalidade se nos escapou… malvada! E não vem nada a calhar esta marota”.
Ou... ou... ou...
Que giro! As hipóteses são como as opiniões, os chapéus e as cerejas, há muitas. Fico por aqui antes que comece a delirar. No creo en las brujas pero que las hay, hay!
Pois é bebé. Devo ter adormecido.

21 de abril de 2008

Deixando a pausa

Pausei e continuaria em pausa se não fosse um acontecimentozinho que me surpreendeu. Nas últimas semanas a TACV tem sido tema de jornais, de conversas, de blogs e por aí adiante. Os problemas da empresa transformaram-se em temas de cartas abertas e respostas em directo. Interessante... mas a prova de que não se trata efectivamente de uma empresa privada com uma gestão comercial por objectivos! Mas pronto, deixemos essa parte. A par do mal dizer da TACV cantaram-se loas à TAP, elogios à pontualidade britânica, ao serviço, à simpatia do pessoal, à eficiência...
Confesso que estranhei mas não há vida sem evolução... e há TAP já leva mais de 50 ou 60 anos.
Surpreendente por isso - culpa minha que estava com expectativas em alta - o atraso superior a hora e meia com direito a 45 minutos dentro do autocarro (com a porta aberta para, por um lado, nos despedirmos a preceito do frio e por outro para nos aconchegar-mos uns aos outros promovendo o diálogo entre desconhecidos) e em pé (certamente para prevenir tromboflebites na longa viagem de 4 horas) e direito a retirada do autocarro para a sala (diria cubículo) de embarque. Sem explicações. Perdão, explicaram sim: quando subi a escada ao fim de meia hora para questionar o que se passava foi-me dito, com muita simpatia, que não sabiam mas que esperasse mais um pouco que quando soubessem logo haveriam de saber se nos tiravam ou se nos mantinham no autocarro...
Retirados do autocarro e valentemente em pé no cubículo dito sala de embarque limitei-me a sorrir ao brasileiro que não conseguia compreender o porquê de trinta míseros segundos depois de lhe darem uma informação a mesma assistente dava outra e recomeçava o embarque. Nova paragem agora na escada!! Nada de especial nestes mais dez minutos a não ser a rapidez e eficiência com que a polícia ocorreu: um fumador atreveu-se a fumar um cigarro do lado de fora!
Finalmente embarque. Serviço impecável: comida horrível (que saudade do pãozinho aquecido da TACV e da lasagna de atum) e repetição por três vezes do mesmo video (certamente para ajudar os passageiros a adormecer) sem som porque auscultadores para África não dá enfim porque. Tudo na normalidade!
A culpa foi mesmo das minhas expectativas elevadas.

9 de abril de 2008

Arte

Há alguns anos atrás vi uma peça que me fascinou. “Arte” é uma fabulosa peça da dramaturga (pode-se chamar dramaturga a quem escreve comédias?) francesa Yasmina Reza.
Três ou quatro amigos e uma tela. Uma tela em branco. Comprada por muito, muito, mesmo, muito dinheiro. O proprietário dessa dispendiosa tela encontra naquele branco de tela significados e metafísicas que lhe foram descritos pelos marchands e críticos de arte. É arte! Está em branco, mas vale milhões!
Orgulhoso da aquisição e investimento e prova do seu apurado gosto artístico apresenta o quadro aos amigos um dos quais (politicamente incorrecto) apesar das profusas explicações e interpretações pré-ditadas pelo amigo conclui: “Isso é uma merda em branco” ou algo parecido que a memória já não é o que era e já lá vão uns 10 anos. “Pagaste quanto por essa porra?”.
Claro que a peça é mais do que a mera questão estética ou a discussão da subjectividade artística dos nossos tempos ou o monte de probabilidades que uma tela em branco apresenta: cada um vê num quadro pintado de branco aquilo que quer, o que podia ter sido mas não foi... até o politicamente incorrecto nada. A discussão entre os amigos é interessante, intensa; ora convoca o riso ora chama a emoção. A tela em branco é apenas o ponto de partida para a reflexão (penso eu de que…) sobre algumas incongruências da vida. Ah, lembrei: são três, sim são três amigos. Um a favor, um contra e um sempre em cima do muro.
Claro que quem é fã decerto se lembra da história em que o Pateta trabalhava numa galeria e no momento em que pendura os quadros para uma exposição chega uma excursão de apreciadores de arte. Pateta não se atrapalha e qual crítico de arte avança uma demorada explicação de cada um dos quadros. Sentimentos, cores, impressões… de tudo isso fala o nosso amigo Pateta, crítico de arte, aplaudido e elogiado pelos visitantes que saem visivelmente satisfeitos com o que viram perante o espanto do dono da galeria. Espanto porque ó pormenor dos pormenores: os quadros estavam embrulhados!

28 de março de 2008

Resposta aberta

Fiquei sensibilizada pela carta que achou por bem remeter, a todos nós povo, por intermédio da Semana. Manda a boa educação que se responda às cartas que nos são dirigidas e apesar de me ter pautado pela inércia em ocasiões semelhantes, achei por bem aproveitar esta oportunidade para me redimir e seria mesmo muito rude não responder a uma tão amável missiva.
Não precisava tanta preocupação e pressa para transmitir a versão correcta e verdadeira dos factos. Veja lá que existe o hábito (da maior parte deste povo apesar de algumas ovelhas tresmalhadas) de deixar que certos assuntos sejam resolvidos nos Tribunais. Acho que é por causa deste hábito de respeito pelas instituições que em nosso nome promovem a acção penal e aplicam a justiça que nos chamam um Estado de Direito Democrático!
Deixe-me dizer que compreendo o interesse que, quem está a braços com processos judiciais, tem em promover nos jornais (ou até na TV se houver verba para isso) os seus pontos de vista particulares, enfim, cai sempre bem um tempo de antena (uma página inteira ainda é carito, só para quem pode) para explicar as coisas fora do foro legal chamado tribunal. Aliás isso não é inédito entre nós. Os tribunais e as leis são coisas muito maçadoras...
A despropósito: parece que temos lá na Constituição umas coisas chamadas presunção de inocência e direitos de defesa do arguido com contraditório e tudo… Mas pronto sou eu a divagar. Nos países civilizados qualquer cidadão envolvido num processo manda amáveis recados ao sistema judicial tipo "ó pá não te deixes influenciar pelo fládu flá e já agora os factos verdadeiramente factos são estes?".
Apesar de me sentir um pouco confusa com algumas explicações, vou confessar que partilho as suas preocupações. Isto nem parece nosso! Apreendem armas e como se não bastasse o dono delas é detido por não ter licenças e não ter declarado o transporte? Ora essa!! Uma pessoa já não pode transportar armas dum lado para o outro? Então aquelas regras sobre transporte de armas não são para decorar as alfândegas e tapar os buracos da parede? E aqueles avisos sobre o transporte de substâncias potencialmente perigosas são a sério?
E eu que julgava que as licenças os manifestos de cargas só se aplicavam nos países de primeiro mundo. Nunca me passou pela cabeça que se aplicavam aqui. Deve ser influência daquelas parcerias europeias e da globalização. E mais… é absurdo um país como Cabo Verde ter legislação que criminaliza a posse de arma sem licença. Ainda por cima crime abstracto... não temos Louvre nem Prado mas temos abstractos no Código Penal.
Não estranho que tenha achado, o que me conta, muito estranho e se calhar até uma leviandade das nossas autoridades. Abrir instrução por uma coisinha destas. Uma aberração! Então não se vê logo que foi um lapso meter as armazinhas no bidonzinho? Outro lapso o bidonzinho ir parar ao contentorzinho? E por causa destes zinhos incomoda-se assim as pessoas? Só porque as armas não foram manifestadas e declaradas? Que coisa mais estranha! Diz e muito bem que homicídio é que é crime! Agora fazer entrar armas no país sem dar cavaco a ninguém é uma bagatela. Como é que fica a morabeza cabo-verdiana?! E as assadas? Como é que ficam as assadas?
Deixe-me dizer que essa parte dos segredos entre marido e mulher hum hum… deixou-me um pouco constrangida. Não me parece muito bem estar a comentar, mesmo que só entre nós, parece riola. Felizmente não somos como essa malta lá estrangeiro que não respeita essas coisas entre marido e mulher. Aproveitavam logo para prender toda a gente incluindo o gato, o cão e o papagaio que em família não há segredos. Se não sabe, devia saber é o que os brutos iriam pensar e só se safavam as tartarugas que são espécie protegida.
Para terminar, que esta carta já vai longa, tenho de mais uma vez concordar com a sua epístola e acreditar na Justiça Divina: lá dizia o Virgílio da Eneida "aprende a conhecer a justiça e a não desprezar os deuses".
Para ajudar e não vá toda a gente resolver responder permita-me propor uma poll. É só disponibilizar um leque de opções e a malta escolhe a resposta que quer dar. E estas modernices já trazem uma opção “Eu acho que…" e cada um escreve o que entender se não estiver satisfeito com as opções. Muitíssimo Estado de Direito Democrático, não acha?

20 de março de 2008

Fiquei contente

A campanha para as eleições autárquicas começou há algum tempo atrás (embora a CNE a anuncie lá para Maio) mas está muito, mesmo muito, maçadora.
De um lado o discurso costumeiro da fraude eleitoral; insinuações, claro, não vá a malta ganhar e depois é uma chatice, assim, insinua-se e concretizada a derrota fica provada a fraude – há malta que cresceu sem ouvir a história do Pedro e do Lobo.
Do outro a usual febre de obras, adoro autárquicas, devíamos tê-las de dois em dois anos, melhor todos os anos - há malta que julga que a malta acredita no Pai Natal.
Pelo meio a rotineira do partido único e a atroz ditadura que deixou traumas de urinol e incontinência urinária tão agudos que há quem considere liberdade mijar em público (celebrizada no Pedrabika).
Um único momento de emoção quando o ilustre Onésimo lançou para debate a ideia de cidades estado. A coisa parecia que ia animar. Tenho de confessar que fiquei encantada, finalmente fazia-se justiça ao perfil helénico que me caracteriza. A Atenas mindelense e a Esparta praiense, um show! Um must!
A ideia foi enxovalhada e ficou claro que debater ideias na (pré) campanha eleitoral nem pensar porque ideias é coisa reservada a alguns e debate é palavra que se interiorizou sem o de. Assim ficou-se no bate e caímos novamente na modorra.
A que propósito vem isto? Duma notícia que leio no Semana e me fez feliz. Financiamento para a gestão dos resíduos sólidos na Praia. Está aí uma boa notícia. O projecto pretende desenvolver um sistema de gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos de Santiago. Algo essencial, somos ilhas se não tratarmos e qualificarmos o lixo temos um problema! E grave. E a opção de deixar para os meu(s) filho(s) uma complicação exponencialmente maior para resolver não me agrada. Até porque o miúdo é daqueles que gosta de debate com de e já estou a ouvir… “Mãe explica-me mais uma vez porque é que a tua geração nem do lixo soube tratar!”. A culpa deste gosto dele não é minha, saiu ao pai (antes que me debatam)
Durante algum tempo pensei (naif que sou) que o saneamento e o tratamento dos resíduos sólidos seriam temas quentes na campanha autárquica e ai do candidato que não propusesse soluções. Mas nem cheiro dos temas que dos resíduos há muito! Umas fotos em placards denunciando aquilo que não precisa de denúncia porque está há vista... e verdade se diga que bastaria a CMP responder com umas fotos de há 10 anos e pronto, tínhamos, empate técnico.
Uma coisa é reclamar (isso todos fazemos que Graças a Deus somos convictamente reclamantes) outra é propôr soluções para um problema que só se resolve com dinheiro (muito) numa área onde é difícil encontrar financiamento. Mudar comportamentos também é bom mas só funciona para o futuro e ver a malta num mutirão à brasileira para uma limpeza… não é assim tão fácil e mantém-se a questão: o que fazer ao lixo!
Fez-me feliz a notícia do Semana. Apesar de o lixo não ser tema de campanha, uma das guerreiras que temos no Governo (pois eu cá assumo… voto género) lá começou a tratar do assunto e a pegar o touro pelos cornos. Luz ao fundo do túnel? O ambiente agradece! Nós também.
Espero que o debate à volta das soluções técnicas possíveis seja mesmo debate com de… e não se repita aquela coisa da suposta ETAR ali entre o Quebra Canela eu quebrava era os tipos que a fizeram e o Palmarejo.
Antes que me debatam este post escreveu-se sózinho apesar de reflectir o mau humor com que estou hoje. Podem não ler, fingir que não leram e se quiserem posso deletá-lo quando voltar o bom humor.

16 de março de 2008

Surpreendente

Surpreendente pela positiva a afirmação de um cidadão guineense a propósito de um imposto instituído na Guiné:
"É bom pagar impostos porque os apoios financeiros que a Guiné-Bissau recebe são impostos doutros cidadãos", disse Bacar Sambu, um residente de Bissau.
Surpreendente (mas não devia ser) a consciência (arredia em muita gente) de que o desenvolvimento depende do esforço colectivo e daquilo que efectivamente o país produz, surpreendente ainda a consciência (muito arredia em muita gente) de que as ajudas externas são fruto do esforço, trabalho e impostos de outras pessoas.
A par da unanimidade na Guiné quanto à necessidade deste pagamento a preocupação com a gestão dos fundos gerados por este imposto no valor de Dois mil francos CFA por ano - cerca de 4 dólares - que recai sobre cada cidadão guineense de idade compreendida entre os 18 e 60 anos.
A ver vamos... mas é um passo em frente quando o cidadão tem consciência que é do seu bolso, do seu trabalho, do seu contributo que sai o desenvolvimento.
Por cá parece-me, às vezes, que falta a consciência da exiguidade do orçamento e de que este é em muito financiado por impostos pagos por trabalhadores de outras paragens... às vezes oiço falar como se estivéssemos no Dubai, num subsidia aqui, subsidia ali, faz isto, faz aquilo, devíamos ter isto, devíamos ter aquilo, que indicia a perfeita inconsciência de que o dinheiro sai do bolso daqueles que pagam impostos.

11 de março de 2008

¿Por qué no me calla?

Prometi não postar! Nem uma palavrinha sobre aquela coisa. Pelo menos enquanto não sair do choque. E não vou postar, nem falar, nem teclar, nem comentar. Contudo:
Faz-me rir de tão aplicável uma frase do Manuel Serrão: "Basta possuir umas noções básicas de Direito(como aquelas que se adquirem nos consultórios jurídicos de revistas como a Maria ou a Ragazza) para saber que...".
E as palavras de Brecht perseguem-me desde esse dia. Palavras mais perigosas que qualquer conspiração terrorista: "Muitos juízes são absolutamente incorruptíveis; ninguém consegue induzi-los a fazer justiça."
E de Brecht também um texto de que gosto muito, longo mas vale a pena:
“Sente-se.Está sentado? Encoste-se tranquilamente na cadeira.
Deve sentir-se bem instalado e descontraído. Pode fumar.
É importante que me escute com muita atenção. Ouve-me bem? Tenho algo a dizer-lhe que vai interessá-lo.
Você é um idiota.
Está realmente a escutar-me? Não há pois dúvida alguma de que me ouve com clareza e distinção?
Então repito: você é um idiota. Um idiota. I como Isabel; D como Dinis; outro I como Irene; O como Orlando; T como Teodoro; A como Ana.
Idiota. Por favor não me interrompa. Não deve interromper-me. Você é um idiota.
Não diga nada. Não venha com evasivas. Você é um idiota. Ponto final.
Aliás não sou o único a dizê-lo. A senhora sua mãe já o diz há muito tempo. Você é um idiota. Pergunte pois aos seus parentes. Se você não é um idiota…claro, a você não lho dirão, porque você se tornaria vingativo como todos os idiotas.
Mas os que o rodeiam já há muitos dias e anos sabem que você é um idiota.
É típico que você o negue. Isso mesmo: é típico que o Idiota negue que o é. Oh, como se torna difícil convencer um idiota de que é um Idiota. É francamente fatigante.
Como vê, preciso de dizer mais uma vez que você é um Idiota e no entanto não é desinteressante para você saber o que você é e no entanto é uma desvantagem para você não saber o que toda a gente sabe.
Ah sim, acha você que tem exactamente as mesmas ideias do seu parceiro. Mas também ele é um idiota.
Faça favor, não se console a dizer que há outros Idiotas: Você é um Idiota. De resto isso não é grave. É assim que você consegue chegar aos 80 anos.
Em matéria de negócios é mesmo uma vantagem. E então na política! Não há dinheiro que o pague. Na qualidade de Idiota você não precisa de se preocupar com mais nada. E você é Idiota (Formidável, não acha?)”
E para terminar esta maré de citações vem-me à memória uma que ouvi muitas vezes da minha mãe e que me consola sempre:
"Algum dia em qualquer parte, inevitavelmente, você há de encontrar-se consigo mesmo, e só de você depende que seja a mais amarga de suas horas ou seu melhor momento"

25 de fevereiro de 2008

Para políticos (e não só)

Estamos em período eleitoral e o deserto de ideias e as polémicas recorrentes já estão por aí em força.
O Sanpadjud tem o prazer de colaborar com os nossos políticos oferecendo o quadro ao lado que permite falar durante horas sem dizer nada – sempre é melhor do que dizer disparates e evita-se o embaraço de dizer qualquer coisa útil ou interessante.
Podem tentar todas as combinações possíveis… qualquer expressão da coluna 1 com as colunas 2, 3 e 4. São possíveis mais de 10 000 frases inóquas! Este quadro permite ao trafulha charlatão incompetente intrujão embusteiro aldrabão político falar mais de 40 horas!!!
Exemplo de utilização do quadro:
“Por outro lado o desenvolvimento de formas distintas de actuação prejudica a percepção da importância dos conceitos de participação geral”
Para aumentar o quadro basta clikar. Ah, também pode ser muito útil a consultores, peritos etc.